“José
agora andava a esmo. Experimentava uma sensação de liberdade e incerteza, ia
para qualquer lugar, via coisas, sentia odores, sorria muito. Ficou surpreso
por todos os pequenos acontecimentos cotidianos que antes lhe eram invisíveis,
agora não, estava de corpo presente em todos os lugares que antes eram apenas
uma paisagem colada como um papel de parede aos seus pensamentos. Agora gostava
de olhar e ver, tudo adquiria um novo colorido, mesmo aquela cor cinzenta do
cotidiano tão repisado. Muitas pessoas lhe olhavam com algum temor, era uma
figura misteriosa, perigosa, e gostava que fosse assim, isto lhe proporcionava
a distinção e o deslocamento com os quais podia enxergar melhor a rua e seus
habitantes.”
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