quarta-feira, 19 de abril de 2017

“José agora andava a esmo. Experimentava uma sensação de liberdade e incerteza, ia para qualquer lugar, via coisas, sentia odores, sorria muito. Ficou surpreso por todos os pequenos acontecimentos cotidianos que antes lhe eram invisíveis, agora não, estava de corpo presente em todos os lugares que antes eram apenas uma paisagem colada como um papel de parede aos seus pensamentos. Agora gostava de olhar e ver, tudo adquiria um novo colorido, mesmo aquela cor cinzenta do cotidiano tão repisado. Muitas pessoas lhe olhavam com algum temor, era uma figura misteriosa, perigosa, e gostava que fosse assim, isto lhe proporcionava a distinção e o deslocamento com os quais podia enxergar melhor a rua e seus habitantes.” 

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