quarta-feira, 19 de abril de 2017

“José agora andava a esmo. Experimentava uma sensação de liberdade e incerteza, ia para qualquer lugar, via coisas, sentia odores, sorria muito. Ficou surpreso por todos os pequenos acontecimentos cotidianos que antes lhe eram invisíveis, agora não, estava de corpo presente em todos os lugares que antes eram apenas uma paisagem colada como um papel de parede aos seus pensamentos. Agora gostava de olhar e ver, tudo adquiria um novo colorido, mesmo aquela cor cinzenta do cotidiano tão repisado. Muitas pessoas lhe olhavam com algum temor, era uma figura misteriosa, perigosa, e gostava que fosse assim, isto lhe proporcionava a distinção e o deslocamento com os quais podia enxergar melhor a rua e seus habitantes.” 
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                                                                  CABEÇA

                                                                    Sinopse

Uma cabeça humana é encontrada em uma rua qualquer. A policia não encontra o corpo e passado um mês do macabro achado, resolve publicar uma foto da cabeça nos jornais, pois tem esperança de que alguém reconheça o desafortunado defunto. Então, para espanto geral, quem aparece? O próprio morto! Ou, enfim, aquele que deveria estar morto, pois sua cabeça está lá no necrotério. A partir daí cria-se um grande mistério e José Simplício, o homem que ‘perdeu a cabeça’, fará de tudo para recuperar o que julga ser seu, ou sua: a cabeça. Muitas serão as artimanhas daqueles que se arrogam donos da cabeça para evitar que o legítimo ‘proprietário’ recupere o que é seu, até porque, enquanto José se afunda nesta busca, a cabeça morta vai fazendo grande sucesso entre o público e rendendo fortunas àqueles que se julgam seus donos. Mas para o bom andamento dos negócios é preciso que a viva fique longe da morta, então a de José passa a ser considerada demoníaca e seu possuidor, o próprio diabo!  Esta carapuça é vestida de bom grado pelo protagonista, que passa a usá-la para assombrar seus algozes. José Simplício agora é um homem perseguido e perigoso, que em nenhum momento se furtará em destruir os dogmas e obstáculos que foram ardilosamente colocados entre ele e sua cabeça.